Nos
últimos anos tenho quase sempre nadado à hora de almoço. Ou a meio da manhã, ou
a meio da tarde. Isto deveu-se sobretudo aos meus horários de trabalho e mais
ainda ao estilo de vida a ele associado (credo, que soa presunçoso). Mas hoje
fui nadar de manhã cedo, antes de ir trabalhar. Nadei 10 minutos, se tanto, na
piscina de 5 metros da Rosa. Ou seja, duas braçadas por cada distância da
piscina. A água estava fria, o céu estava meio cinzento, a anunciar o Outono, o
que me agradou, não sei porquê. Talvez porque no Outono tudo acalme, e até o
nadar seja mais tranquilo. Nadei os primeiros 3 minutos para afastar o frio,
logo uns poucos minutos mais relaxados. E depois fui tomar banho, um banho
quente, e vesti-me. Umas calças de ganga, uma t-shirt, umas chinelas. Mochila
às costas, e saí. E a caminho do comboio, senti-me feliz. Uma felicidade curta,
passageira, uma daquelas que aparece por refletir uma memória carinhosa. A
brisa fresca no cabelo molhado e no corpo já desperto fez-me sentir mais leve,
mais calma, mais feliz. Vieram-me também as saudades de nadar de manhã – a
primeira coisa do dia logo depois do café. Depois de ter nadado de manhã há um
descanso na alma, uma espécie de liberação do subconsciente, que depois está
disponível para todas as outras vivências do resto do dia.
Já
quando treinava, o treino da manhã era o meu preferido. Íamos para a escola de
cabelo molhado, já com uma vida no bolso antes da de todos os outros começar.
Já nesse caminho sentia a brisa fresca no cabelo molhado, mesmo no Inverno. A
sensação era a mesma, como se a brisa fresca também corresse por dentro de nós
e purificasse o nosso ar.
Durante
a faculdade, quando vivia na minha avó, ia nadar antes de ir para as aulas. O
café, o pão com manteiga, o caminho para a piscina, ser a primeira a entrar e
nadar meia hora a correr, ir para a paragem de metro de mochila às costas e a
brisa fresca no cabelo molhado.
Nadar
pela manhã como primeira coisa do dia foi durante muito tempo a minha boia de
salvação.
Nadar
devia ser sempre a primeira coisa do dia – logo a seguir ao café da manhã. E
depois, sempre, a brisa fresca no cabelo molhado.
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