terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sempé

Foi-me oferecido um caderno com pinturas de Sempé. É daqueles cadernos tão bonitos que acabamos por guardar como relíquias, pouco importando o que lá escrevemos. Inclui uma pequena biografia:

"Though a late recruit to professional cartooning, Jean-Jacques Sempé (b.1932) was an avid doodler from the age of nineteen. Entrance exams were not his forte as a young man, so plans for nine-to-five work were left behind and Sempé set out on the road instead. Earning his keep as a travelling toothpaste salesman, a jack-of-all-trades for a wine merchand and a holiday activity leader, he later joined the army to fund his burgeoning artistic career.
Since 1965 Sempé's work has appeared regularly in Paris Match and is also enjoyed by readers of The New Yorker. His charming and evocative images of dancing couples, sunburnt tourists, sandy children and travellers gazing out to the sea conjure up the contented and contemplative mood of holidaymakers of all ages."

Para mim, férias de Verão só o são se houver mar onde nadar. O encanto de nadar no mar nas férias vem não só do prazer do espaço físico (mar, sol, praia! quem não gosta?), mas porque é uma atividade de férias, que não faço noutra altura. No resto do ano, nado numa piscina, que fisicamente é um espaço delimitado, o que não me chateia, porque no meu quotidiano preciso de "limites". Mas nas férias de Verão, aí o espaço quero-o infinito (que existe ao nosso alcance mais infinito que o mar? ao céu não chego com toda a certeza!), quero que a minha mente seja livre... até porque o período de férias é limitado :)


Infelizmente, as imagens que encontrei pela internet não estão com a melhor das qualidades... Desculpe, senhor Sempé!






segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Annette Kellerman - A sereia australiana

Annette Kellerman nasceu a 6 de Julho de 1886, em Marrickville, Austrália, filha de um violinista e de uma pianista. Entre os dois e os sete anos de idade teve que usar ferros nas pernas, devido a raquitismo. Para fortalecer as pernas iniciou-se na natação - as pernas reagiram bem, e aos 15 anos tornou-se nadadora de competição. Aos 16 bateu o recorde mundial da milha. 
Por esta altura, Annette começou a dar espectáculos de natação e de mergulho, atuando como sereia num aquário em Melbourne (parece que a mãe da rapariga não achou muita piada). 
Em 1902 mudou-se para Londres e aí, para atrair publicidade, nadou 42 quilómetros no Tamisa, coisa que nunca ninguém tinha conseguido, nem sequer um homem (?!!! ;) ) No dia seguinte, o Daily Mirror batizou-a de "a sereia australiana". Continuou a fazer travessias de longa distância, e tentou por três vezes atravessar o Canal da Mancha, mas falhou as três tentativas (segundo ela, "tinha a resistência, mas não tinha a força bruta"). Alternava as travessias com espetaculos de ballet aquático em Londres - foi pioneira também nesta disciplina, hoje a chamada natação sincronizada.  

Annette causou sensação também porque nadava com um fato de uma só peça (cosia meias pretas a um fato de homem), que permitia que se vissem as pernas por cima do joelho. Isto numa época em que as mulheres andavam de espartilho e vestidos longos, e quando iam à praia a única coisa que mostravam eram os tornozelos (por isso a minha avó comenta os tornozelos das raparigas!) Chegou a ser presa numa praia em Boston, por indecência pública. Recebeu uma onda de apoio público e dos media.  Mais tarde, desenhou e comercializou o primeiro fato de banho de uma peça para mulheres.

Em 1914, veio Hollywood. Annette foi a estrela em vários filmes, como "Neptune's Daugther", "Venus of the South Seas", "A daughter of the Gods," e em todos fazia ela mesma todas as "acrobacias" aquáticas, nunca recorrendo a duplos. Em 1952 teve direito a um filme sobre a sua vida "The Million Dollar Mermaid", protagonizado por Esther Williams. 

Era defensora do exercício físico para saúde e beleza. Via o seu corpo, brilhantemente coordenado, como um instrumento que devia ser cuidado e desenvolvido. Era vegetariana e chegou a gerir uma loja de alimentação saudável. 

Depois de se "reformar" do mundo do espetáculo, voltou para a Austrália, onde continuou a nadar todos os dias. Morreu em 1975, com 89 anos. As suas cinzas foram deitadas na Great Barrier Reef, na Austrália, como ela pediu, para assim se reunir com o mar.

"I have turned to the ocean when remembering only me and after I left the shore behind, I seemed to shrink and shrink till I was nothing but a flecky bubble and feared the bubble would burst. And so I advise swimming as good to encourage the modesty of the soul".






Merger and Separation

"Swimming cultivates imagination," wrote Australian-born champion and movie star Annette Kellerman in her 1918 volume, How to Swim. When we swim we shed our higher consciousness, the complex, reasoning human organism, and remember, deep inside ourselves, the first oceanic living cell; we almost become our origins. Whether in lake, ocean or pool, there comes that moment when the world of our ordinary preoccupations washes away and we sink into a meditative state in which the instinctual, intuitive, sub-conscious mind can tell us what we need to know.

The question is always the same: Who am I? The answer is in each swimmer’s – and writer’s – imagination.
(...)
In the world of water, we become aware of our skin, of the body's limits and definitions, while we are simultaneously wrapped in an element so familiar, so delightful, so sensual that we feel we have come home. Because life seeks both merger and separation, swimming is a perfect correlative for its mystery.
“Splash: great writing about swimming” introduction by Laurel Blossom

Esta última frase é a minha favorita de sempre, como descrição do que pode ser o ato de nadar (só um escritor para encontrar as palavras certas). E portanto, parece-me ideal para inaugurar o blogue.