quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A piscina lá em minha casa

Ontem fui levar ao cinema uma das netas de senhora que me aluga o quarto. Passei pela piscina do polidesportivo lá do sítio, o El Torréon. Tinha isso mesmo, o ar de piscina lá do sítio. Logo imaginei a confusão das mãezinhas a levar os filhos às aulas de fim de tarde, os idosos nas aulas da manhã e hora de almoço, essas rotinas de piscina lá do sítio. A minha piscina lá do sítio é a piscina de Matosinhos. Mas ao passar por ela e a ver a semelhança, apercebi-me de que não quero ter mais nenhuma piscina lá do sítio.
Para mim só pode haver uma piscina lá do sítio, que é a piscina da minha infância. Tem encanto por estar encapsulada nessa infância. Ter outra piscina lá do sítio só levará à comparação, que evidentemente leva à desilusão, à insatisfação, à melancolia. A piscina da minha infância é a piscina da minha infância.
Então e as outras piscinas? Às outras piscinas quero-as todas, quero qualquer uma, mas quero-as sempre novas, sempre diferentes. Quero sempre, de forma ocasional, ver o familiar de forma indiferenciada - a risca preta no fundo da piscina, os nadadores salvadores e os professores nas suas posturas universais, os mesmos "tipos" de nadadores, a água quente dos chuveiros, a sensação de leveza e frescura à saída da piscina. Todas essas impressões me fazem sentir em casa em qualquer local novo. Quando estou num local que desconheço, ir a uma piscina faz-me sentir parte desse mesmo local, dá-me a chave para interpretar o que tenho à volta.
Mas fazer de qualquer outra piscina a piscina de minha casa? Ganhar familiaridade com o senhor da receção? Conversar frequentemente com os professores lá do sítio, saber detalhes da vida dele e eles da minha? Reconhecer os mesmos rostos de sempre nos balneários? Não, isso não. Isso ficará na piscina de minha casa. Por falar nisso, tenho que entrar em contacto com alguns amigos de lá. Vou remexer nas memórias da piscina de minha casa. Mas as outras? Ai nas outras eu só quero é viajar... Vou passando por elas, vou deixando que viaje o coração. E talvez um dia o meu coração regresse a casa. 

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